terça-feira, 5 de novembro de 2013

Ser brotinho



                                   


                                                                    Ser brotinho
                   Paulo Mendes Campos
Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.
Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.
É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar um dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. Ser brotinho é ainda possuir vitrola própria e perambular pelas ruas do bairro com um ar vagaroso, abraçada a uma porção de serelepe coloridos. É dizer a palavra feia precisamente no instante em que essa palavra se faz imprescindível e tão inteligente e superior. É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.
Ser brotinho é poder usar óculos enormes como se fosse uma decoração, um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que os coroas levam a sério, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. Aguardar na paciente geladeira o momento exato de ir à forra da falsa amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográfico sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois cruzeiros com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.
É telefonar muito, demais, revirando-se no chão como dançarina no deserto estendida no chão. É querer ser rapaz de vez em quando só para vaguear sozinha de madrugada pelas ruas da cidade. Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. É fumar quase um maço de cigarros na sacada do apartamento, pensando coisas brancas, pretas, vermelhas, amarelas.
Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite e sem roupa, completamente. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho gozado e bacanérrimo.
É ainda ser brotinho chegar a casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema, mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. É ter uma vez bebido dois gins, quatro uísques, cinco taças de champanhe e uma de cinza sem sentir nada, mas ter outra vez bebido só um cálice de vinho do Porto e ter dado um vexame modelo grande. É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.
Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão da festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado ballet e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Germain. Ter trazido para casa um gatinho magro que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e Jean-Paul. Ter horror de gente morta, ladrão dentro de casa, fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. Eventualmente, ser brotinho é como se não fosse, sentindo-se quase a cair do galho, de tão amadurecida em todo o seu ser. É fazer marcação cerrada sobre a presunção incomensurável dos homens. Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. É policiar parentes, amigos, mestres e mestras com um ar soga monga de quem nada vê nada ouve nada falam.
Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha são a vida sobre a Terra.
O cego de Ipanema. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960.

                                   

10 comentários:

  1. Eu achei muito legal,genial,espetacular.este texto ele fala que nunca devemos fazer algo contra o nosso gosto.
    fazer o que nós gostamos de fazer é o primeiro passo para sermos felizes. do que adianta buscar a felicidade ao longe sendo que ela está dentro de nós?
    a felidade vem sempre como trófeu ao final de uma grande luta contra a infelicidade tristeza ou dor. lembrar-se das vitorias que tivemos no passado faz com que tomamos forças para prosseguir no futuro.muitos morreram lutando contra seu destino. mais poucos conseguiram vencer acreditando em seus sonhos . acreditar em si mesmo é a argamassa do sucesso,é o que mistura tudo é faz tudo,tudo acontecer.
    ACREDITE EM VOCÊ!
    Laiane antunes cardoso 8 ano "C"

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  2. SER BROTINHO não e viver em um pincaor azulado das mulheres e dizer a palavra feia precisamente um imflechão tão certa de que todo neste mundo passa de pressa e não tem amenro inportncia e telefona muito demais revirando se no chão como dançarina no deserto ACREDITE EM TODO MUDO ELIZNGELA KRASOSKE MAQUARTE 6C

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  3. EU ENTENDI QUE SER BROTINHO É SER TUDO DE BOM NA TERRA E TAMBÉM É SER E TER COISAS DIFERENTES QUE A GENTE NÃO FAZ E TAMBÉM COISAS ENGRAÇADAS.
    ANA LUCIA 6°C

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  4. Eu entendi que Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.
    aluno=Carlos Alerandro De Souza Mani

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  5. EU ENTENDI QUE SER BROTINHO É FAZER TODAS AS COISAS BOA DO MUNDO , AS COISAS RUIM A GENTE DEIXA PRARA DEPOIS POR QUE AS COISA RUIM NÃO PODE APARECER QUANDO UMA COISA MUITO BOA ESTA ACONTECENDO .
    aluna ''tamires garbrcht''
    serie 6 ano''a'' .

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  6. Eu achei muito legal,genial,espetacular.este texto ele fala que nunca devemos fazer algo contra o nosso gosto.
    fazer o que nós gostamos de fazer é o primeiro passo para sermos felizes. do que adianta buscar a felicidade ao longe sendo que ela está dentro de nós?
    a felicidade vem sempre como troféu ao final de uma grande luta contra a infelicidade tristeza ou dor. PHABLO FERNANDES ARAUJO 6 ANO 'A'

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  7. Eu achei enteresente este porque fala sobre nossa vida do que somo e pra que somo;não devemos divuga nosso proximo por causa que ném leva algo algum.
    devemos ser nos mesmos ser um pequeno broto para poder crescer mais tarde não usar pessoas que quer nosso bem,refletir com nossos olhares para ver cada detalhes .
    8 ano c

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  8. o que ese testo fala para nois é que tomar um ser brotinho é atravessar de porta a porta a salão do festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes e iso que acom tese é un novo brotinho que nase e vira uma nova arvore aline 7°ano b

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  9. Eu entendi que ser brotinho não é faser o que quer da vida, sem cair na reau que estamos vivendo em um mundo cruéu, ser brotinho brotinho não vai faser diferença nenhuma porque somos todos iguais. ///Edmar Krassoski 9º B///

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  10. geovana carvalho dos santos29 de novembro de 2013 às 04:42

    Para min Ser brotinho e apenas mudar o jeito de ser e de viver
    e viver o presente
    esquecer o passado
    e pensar no futuro que vem pela frente vamos crescendo e lembrando do que aconteceu no nosso passado quando formos maiores vamos saber o que fizemos de errado em toda nossa juventude...
    SOU ALUNA:Geovana carvalho ods santos do "9 ano B"

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